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...e mundo

Sujos e renegados Sujos e pestilentos Assim eu os vejo Sempre sujos Moscas, grilos Percevejos Renegados e excluídos Uma dor para os ouvidos Ouvidos que pararam de ouvir Sujos e surdos Também não sabem falar Quem não tem argumento É meio mudo Quem não conquista o respeito Só tem meio mundo Mundo sujo Sujo e renegado Sujo e pestilento. (Anderson Shon, Um Poeta Crônico.) www.facebook.com/umpoetacronico 

Fugindo

Acordei de um sono frio Tomei um banho rápido Comi algo duro Sob olhares indiferentes Senti que o dia não seria dos melhores Era a dança dos ausentes As pessoas cantarolavam tristes Era o prelúdio do carnaval Mas ali havia algo de natal Normal Às vezes se chora no fim Aqui é assim Ou não Também já acordei de um sono rápido Tomei um banho frio Comi algo indiferente Sob olhares duros Senti que o dia não era dos mais tristes Era a dança dos melhores As pessoas cantarolavam o carnaval Era o prelúdio triste Mas ali havia algo de normal Natal Às vezes não se chora Aqui é o fim Ou assim Todavia  Já acordei de um sono indiferente Tomei um banho duro Comi algo rápido Sob olhares frios Senti que o dia não seria de carnaval Era a dança do tristes As pessoas cantarolavam ausentes Era o prelúdio do fim Mas ali havia algo de melhor Não Às vezes se chora, normal Aqui é natal Ou fim. (Anderson Shon, Um Poeta Cr...

Beijo de Despedida

- Você já vai? - Sim, pois deveria ficar? - Talvez sim, talvez não, talvez devesse me dar um beijo. - Um beijo? Não tornaria isso sério demais? - Não, não, seria somente uma despedida. - Isso é necessário? - Talvez sim, talvez não. Já percebeu que as pessoas não se despedem daquilo que não foi agradável? "Adeus, meu querido voo com turbulência" Até logo, bendito chá de boldo" - Então você quer um beijo de despedida? - Não, eu não quero um beijo de despedida, eu quero que você se despeça com um beijo. (Anderson Shon, Um Poeta Crônico.) www.facebook.com/umpoetacronico 

Um Simples Desejo

Desejo que o som suave da tua voz Nunca se transforme em barulho E que a luz que guia meus olhos Fazendo-os pararem nos teus Nunca se perca no escuro Desejo que a palma da mão Que acalanta, acalma, encanta Nunca fique recheada de espinhos E que os passos dados na mesma direção Não escolham outros caminhos Desejo que o “eu te amo” apaixonado Nunca tenha tom de arrependimento Desejo que não precises escrever uma poesia Para não pedir que nunca se esqueças Que, juntos, passamos ótimos momentos. (Anderson Shon, Um Poeta Crônico.) www.facebook.com/umpoetacronico 

Mrs. Futuro

Mrs. Futuro, Esse quarto está muito escuro Posso ligar a luz? É bom iluminar o caminho Antes que sigamos cegos Mrs. Futuro, Na gaveta há algum prego? Aquele quadro irá cair Se não fizermos nada Só será tintas manchadas Em um cenário sem referência Mrs. Futuro, Desculpe tirar sua paciência Mas se puder não vir Ninguém irá reclamar Pode ficar por aí Saboreando seu saboroso chá Mrs. Futuro, Deixe meu hoje intacto Aqui não está muito bom, exato Mas pelo que é falado O senhor é um homem rancoroso Mal humorado e chato Mrs. Futuro, Avise ao Mr. Presente E ao Mr. Passado Que algo saiu errado E que o mais sensato É cada um ficar no seu estado. (Anderson Shon, Um Poeta Crônico.) www.facebook.com/umpoetacronico 

A Menina e o Terno

Onde é que eu compro personalidade Seu moço? Pois preciso de uma dúzia para um almoço E não sei onde encontrar Meu bom trabalhador Está vendo aquela menina e seu terno? Chegue lá, bem de perto Pois personalidade não lhe falta É de uma inteligência que mata De uma simpatia que cativa a alma E a fala doce faz sonhar Peça a ela um punhado de personalidade Não deve ser mais de um real Acho que ela guarda atrás da gravata royal Melhor, acho que custa nada Só precisa trocar por uma conversa bem ensaiada E fáceis sorrisos irão brotar Mas muito cuidado! Ela tem tanta personalidade Que cria asas e pode a qualquer hora voar Eu não tenho medo, seu moço Se a menina do terno é tão perfeita assim Vou pegar meu vestido de noivo Para então poder casar. (Anderson Shon, Um Poeta Crônico.) www.facebook.com/umpoetacronico 

Abolição

E lá vai o menino branco indo pra escola Pega o ônibus e seu motorista negro Pega o troco com o cobrador negro Passa pelo porteiro negro E no quadro negro O professor negro fala sobre escravidão Comemora a abolição E diz que isso, hoje, não existe, não. (Anderson Shon, Um Poeta Crônico.) www.facebook.com/umpoetacronico