A História Não Inédita e Comum Sobre Qualquer Coisa

Esse é o João
Podia ser Paulo, Roberto,
Assis ou Sebastião
Sua história não é muito engraçada
Mas não tem nenhuma graça
Em repetir os erros da televisão

Seus amores caíram no ralo
Seus amigos desamarram o cadarço
Enquanto ele ouve a lamentação
Do nipônico que é brasileiro
Que sempre quis ser o primeiro
Mas nunca foi mais
Que um pobre descendente do Japão

Sua namorada não existe
Pensa com um olhar triste
Sobre os carinhos que está pra receber
Assiste os casais de mãos dadas
Enrola a corda desatada
Simulando a junção do tudo ou nada

Escolhe perceber que pra ser tudo
Tem que enfrentar o mundo
Tirando a máscara do falso sorrir

Avisou que não vai mais pra casa
Vai dormir pela calçada
E as esmolas vai doar para o mentor
Que refez toda a caminhada
Transformando sua ninhada
Em animais que insistem em não sentir dor

Já tentou ser o homem do ano
Carregou todos os bebês
Só os que faziam aniversário naquele mês
Mas deixou um cair no chão
Foi fitado com reprovação
E percebeu que todos votariam “não”

Quis tentar dar um fim no seu começo
Mas a história está no meio
E já se sente no final da relação
Temos a missão do forasteiro
Procuremos a paz certa
Para dar um fim em toda confusão

Essa é a história do Zé Nada
Que talvez seja um eu
Se o espelho quiser me mostrar assim
“Dessa vez vou segurar com firmeza
O lindo bebê irá sorrir
E todos irão votar no “'sim'”.

(Anderson Shon, Um Poeta Crônico.)

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