O Homem Mais Rico do Cemitério

O homem mais rico do cemitério
Enxerga a morte com os olhos
De quem não quer vê
Não conta a vida com mais de uma mão
E assisti os momentos
Inveja as cores da TV

Conta piadas sobre o nada
E não extrai o riso
Pois então sustenta uma riqueza
Que não lhe faz rico
E se senta à beira da sorte

O homem mais rico do cemitério
Entende a morte
Como um herói mal
Que sai da sua nave
Com a espada e o manto
E salva um cachorro,
A velinha e o santo

Se senta a beira da sorte
Esperando uma mão
Com a benção do anjo que voa
Mas não tem solução

E não vê o cometa atingir a terra.

(Anderson Shon, Um Poeta Crônico.)
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