O Oposto do Contrário

Eu sou o oposto do contrário
O nada que completa o mesmo
Mas sem esmo
O sangue na batalha de esqueletos

Eu sou o zero
Que completa o onze
Entre a prata e o ouro
Eu sou o bronze
Sou a gota do mar vazio
Sou o vento que protege o frio

Os raios que só viram a cor
Sou o amor dos velhinhos
No futebol
Eu sou o carrinho
Do zagueiro perdido
Sem caminho

Sou o sim da negativa
Sou a solitária investida
Sou a dança do século passado
Sou a capital de um país sem estado
Sou o tsunami da seca
Sou a refeição após a sobremesa
Sou o arroto de insatisfação
Sou o orgulho da nação
Sou a sigla do diminutivo
Sou a mosca do cavalo do bandido
Sou a barbicha de dez mil anos atrás
Sou depressa demais
Sou o assado do Dia de Ação de Graças
Sou sem graça
Sou sem cor
Sou o pavor de quem não pode ver
Sou sem querer 
Aquilo que nunca quis ser.


(Anderson Shon, Um Poeta Crônico.)

www.facebook.com/umpoetacronico 

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